21.10.08

·*· M’Olhar ·*·

Tinha um hálito quente de deserto e os olhos abertos no escuro eram como dois sóis. A respiração dificultada dava aqueles ares de velho oeste, vento de barulho áspero, cortante, e todo aquele calor no recinto. Uma aridez só.

Tinha também vontade de tirar todos os espinhos da língua afiada de cacto e usá-los para pregar os olhos cansados e cansados, que não cansavam de repetir velhos filmes de faroeste. Velho oeste.

Mas é que é tão simples transformar uma floresta tropical em deserto, tão rápido transformar sua noite fria em meio-dia e, depois de tudo isso, tão difícil conseguir dormir debaixo de tanto sol.

21.10.08

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