26.3.08

·*· Só Riso ·*·

Cecília o abraçou e percebeu que era mais sincera sobre os ombros das pessoas.

Como no dia em que passou o que pareceram horas ouvindo os falsos elogios daquela tia falsa e, no momento do falso abraço, Cecília deu fim aos ares de gratidão e revirou os olhos com impaciência.

De todas as vezes que ouvia um “vai ficar tudo bem” e concordava sorrindo, mas abraçava chorosa; e quando dizia que desculpava, mas abraçava raivosa; mentia, abraçava e por cima do ombro alheio se viam os olhos culpados, cheios de preocupação.

Cecília o abraçou e mesmo sem, obviamente, poder ver o rosto dela por sobre os próprios ombros, ele podia sentir a expressão. E perguntou: “Rindo de quê, Cecília?”.

- Rindo, não. Sorrindo.

26.03.08

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